#compliance
Os melhores modelos de gestão que tive em minha carreira promoviam esta bandeira.
Dica pré-feriado: promova a troca de expertise no seu time.
Não seria troca de informações, Danilo?
Não, não. Troca de informações – o que é rico e também deve ser encorajada – acontece no catch-up, na reunião, no treinamento. Aqui o escopo é ADICIONAL a isso. Estamos falando de planejamento e gestão de riscos. Um modelo de gestão.
Acabo de ler uma sentença super interessante na justiça trabalhista onde a empresa reclamada requisitava os serviços de uma pessoa especialista em horários inapropriados e até nas férias. Justificativa? Só esta pessoa detinha o conhecimento necessário. Além da questão da violação ao direito à desconexão, temos aqui uma exposição de Compliance.
Todos conhecemos no mundo corporativo aquela figura do(a) especialista “oráculo”. Aquela pessoa que é quase uma enciclopédia, uma caixa-preta dos processos e afazeres da área. Num primeiro momento, isso soa ótimo, pois geralmente esta pessoa é colaborativa e contribui muito para o sucesso do time.
O que acontece é que isso potencializa problemas no médio e longo prazo, o que é ruim no âmbito estratégico da instituição.
Primeiro, no aspecto de risco operacional, pois quando só uma pessoa conduz uma atividade, quem conseguirá constatar uma falha dela? Vou além, processos de feito-conferido existem não apenas para mitigar a falha, mas também para proporcionar o aprendizado e contribuir na qualificação de, no mínimo, duas pessoas, é indiscutível, é matemático.
Segundo, no universo da conduta, se uma pessoa está cometendo uma ilicitude ou irregularidade, como será algum dia constatado se só ela supervisiona o seu procedimento? Especialistas anti-fraude tem muito a acrescentar aqui.
Já na perspectiva organizacional, como as pessoas no time, ou mesmo no âmbito institucional, se sentem numa área onde o(a) especialista não tira férias nunca? No caso da sentença não era por iniciativa da pessoa, mas sim da empresa. Contudo, testemunhei situações onde as empresas, suas cúpulas da alta administração não apoiavam e não sabiam do que estava acontecendo. A depender de como a liderança permite e interpreta tal comportamento, os demais colaboradores podem se desmotivar por acreditar que só quem atua desta forma vai crescer, o que deve ser combatido.
Contudo, trago uma visão otimista para concluir esta dica de fim de semana com o que acredito ser um bom approach: tenha como missão contínua promover o Mindset de aprendizado e crescimento do portfólio, da prateleira de qualificações das pessoas lideradas. Quanto mais completo, mais exposição positiva um(a) profissional tem para a empresa e para o mercado. It’s a Win-win bet.
Vamos assumir para fins ilustrativos que você lidera um time de Compliance (e na minha visão, isso serve para qualquer área) com diferentes frentes de atuação dividas em células.
A célula A cuida de relacionamento com reguladores; a célula B cuida de controles internos e avaliações periódicas de risco; a célula C de políticas e procedimentos e a célula D de governança e projetos.
Podemos perceber maior conexão de estratégia e interação com áreas internas e externas nas células A e D. Na mesma tomada, uma maior relação operacional e procedimental nas equipes B e C. Neste cenário, seria recomendável que as pessoas no time D, assumindo que esta seja a estratégia escolhida, atuem prestando suporte ao time A e vice-versa, seja num formato de rodízio, ou o mais comum, trabalhando mais próximos e “por dentro” do dia-a-dia – inclusive aware dos procedimentos escritos existentes – como legítimas backup uma célula da outra. Vale o mesmo racional para as equipes B e C, o que é mais frequente em times com forte carga operacional . Destaque-se que há estratégia e operacional nos quatro exemplos, a divisão aqui é mais ilustrativa, mas real.
Todo mundo aprenderá mais. Isso também é matemático. Não existe uma regra pronta, mas é eficiente.
Gostou? Comente, curta e compartilhe.
Saudações e sucesso sempre.
Bom feriado!
Imagem de Pixabay.

